07 outubro, 2005

Tenho que confessar...conheço a poesia da Florbela Espanca há algum tempo, mas de uns dia para cá ESTOU AMANDO suas doces e melancólicas palavras, as vezes difíceis de serem lidas, mas com uma verdade que, em tantas outras vezes, me sufoca. Realmente não é fácil ouvir sobre solidão, morte, dor e perdas, mas Florbela é mestre na arte de traduzir e nos emocionar com esses temas.
Eu sou


Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte
Sou a irmã do sonho e dessa sorte
Sou a crucificada, a dolorida
Sombra de névoa tênue e esvanecida
e que o destino amargo, triste e forte
Impele brutalmente para a morte
Alma de luto sempre incompreendida
Eu sou a que passa e ninguém vê
Sou a que chora, triste, sem o ser
Sou a que sofre sem saber por que
Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou.
Florbela Espanca

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