21 outubro, 2005

Li uma história em um blog hoje que me fez voltar pelo menos 20 anos ao passado...
Quando era pequeno tinha um cachorro em um apartamento, cachorro pequeno, comprado para 3 crianças e que era a nossa alegria. Lembro do dia em que fomos buscá-lo - é engraçado como algumas lembranças nunca se vão - e do tempo em que ele viveu. Na realidade ele "apareceu" depois que um outro cachorro que tínhamos foi roubado enquanto eu passeava com ele perto de casa. Aconteceu que o síndico que não se dava com meu pai colocou veneno nas escadas.Um dia, ao chegar em casa de um almoço -era domingo, percebi que ele estava estranho, quieto, triste, com olhos distantes... Sabe quando um bicho tem olhos distantes? Eu soube. Saímos para brincar. Nunca corremos tanto como naquela tarde. Por um momento eu acreditei que ele ficaria melhor. Ao voltar-mos para casa, ele começou a passar mal e morreu 3 horas depois, no veterinário, vítima de envenenamento. Eu tinha por volta de 9 anos e não sabia - ainda não sei - como o homem podia ser tão cruel. Foi o primeiro sentimento de perda... Doeu muito e demorou a passar. Um dia, não sei quanto tempo depois, a dor não estava mais lá, mas para minha surpresa, hoje eu a percebi cá. Próxima, exata, inteira... menos dolorida, mas ainda viva, distinta, ímpar. Lembrei daquele domingo, da tarde linda que fazia, do pôr-do-sol, da minha mãe na janela, da falta que ela me faz,do seu sorriso, de que ela era uma parte...Engasguei, chorei. De saudade. Muita saudade. Mas agora não sei mais por qual das perdas...na realidade, sei.

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